quinta-feira, 20 de junho de 2019

O gelo do Montejunto que abastecia os reis de Portugal






No topo da Serra de Montejunto, 600 metros acima do nível do mar, virada a norte, numa zona fria e húmida ergueu-se a Real Fábrica do Gelo. Durante cerca de 120 anos dali saiam blocos de gelo que refrescavam a corte e, mais tarde, os cafés mais chiques de Lisboa. Em 1850, com a invenção do frigorífico, entrou em declínio. Se não fosse o eletrodoméstico, seriam as alterações climáticas a ditar o seu fim.

Texto de Marina Almeida | Fotografias de Orlando Almeida/GI

Este sítio estava condenado a derreter-se na memória coletiva. Durante mais de cem anos, nos tanques da Real Fábrica do Gelo, solidificou a água que refrescava os caprichos reais, de bebidas frescas a sorvetes. Era um sítio de trabalho duro, entre finais de setembro e fevereiro. Durante as frias noites do alto de Montejunto, os neveiros retiravam o gelo dos tanques, transportavam-no às costas em pesadas cestas e acondicionavam-no nos silos de armazenamento. Ali ficariam até junho, altura em que os blocos de gelo seguiam serra abaixo, até à Vala do Carregado, para seguirem durante a noite, pelo rio Tejo, até Lisboa. Funcionou até à invenção do frigorífico, nos finais do século XIX, altura em que ficou entregue ao mato e ao abandono. Até um dia um professor de História do liceu ter despertado interesse de um bando de miúdos curiosos. Entre eles estava Carlos Ribeiro, hoje um dos guias daquele local, único no mundo.

Estamos em junho, e Carlos não dispensa um casaco. No alto da Serra de Montejunto continua a fazer fresco, apesar de já não ver gelar água naqueles tanques há uma década. Lembra-se da aula de História na Escola Secundária do Cadaval que desencadeou uma bola de neve. “Tínhamos uns 15, 16 anos. Ficámos todos interessados em conhecer o espaço. Chegámos a casa, perguntámos aos pais e aos avós, eles lembravam-se dos tanques, mas não sabiam a história da fábrica. O nosso professor era um professor à antiga, e um dia marcámos um acampamento para conhecermos a fábrica do gelo”, conta. Quando chegaram ao local, não conseguiram entrar devido ao mato que se instalara num fim de uma era. Saíram os homens, a natureza tomou conta do local ao longo de um século. Os miúdos não conseguiram ver grande coisa, mas tiveram uma certeza: “aquilo era demasiado importante para ficar naquele estado”. Organizaram-se, fundaram o Grupo dos Amigos da Fábrica do Gelo, juntaram-se ao grupo de espeleologia local e dedicaram fins de semana e feriados a limpar o espaço. A Real Fábrica do Gelo que hoje se desvenda aos olhos do visitante (parece uma capelinha, mas não é), nasceu desta curiosidade. Depois, a autarquia do Cadaval percebeu a sua importância e iniciou um caminho para a recuperação, musealização e classificação do conjunto de património industrial. Em 1997, foi classificada como Monumento Nacional.


A Real Fábrica de Gelo que hoje se desvenda aos olhos do visitante (parece uma capelinha, mas não é) renasceu graças à curiosidade de um grupo de jovens. (Fotografia Orlando Almeida/Global Imagens).

Carlos Ribeiro não esconde o orgulho e rapidamente se embrenha nas explicações com que dá vida a um conjunto de estruturas estranhas aos olhos contemporâneos. O complexo é dominado pelos 44 tanques de pedra de pouca profundidade onde se congelava a água destinada a refrescar as bebidas reais (e, mais tarde, a ser vendido como produto de luxo entre os “cafés chiques”). A moda veio de Espanha, no reinado de Filipe II. A neve que abastecia Lisboa inicialmente era proveniente das serras da Lousã, da aldeia do Coentral, onde existiam sete poços. Com o aumento do consumo, a procura alargou-se às famílias mais abastadas, bem como ao Hospital de Todos os Santos, passando a ser usada para fins medicinais. Era necessário dar resposta à demanda (até porque a neve da Lousã tinha 50% de perdas no transporte pelo Rio Zêzere) e em 1741 foi mandada construir a Real Fábrica do Gelo, por iniciativa de três sócios – um espanhol, um italiano e um francês.


Era uma tarefa dura esta de fazer gelo. Dos poços e dos tanques de armazenamento, a água da chuva era enviada para os 44 tanques de congelação, com recurso a um sistema de nora movido por animais.

A escolha recaiu na Serra do Montejunto devido às condições climatéricas e por ficar mais perto de Lisboa. “A obra demorou cerca de seis anos e custou 40 a 45 mil cruzados, um valor exorbitante para a época”. Carlos Ribeiro explica que a unidade estava dividida em dois setores – o da produção de gelo e o de armazenamento – e tem pormenores construtivos muito avançados. Por exemplo? No fundo do enorme silo de armazenamento principal, em pedra (tem dez metros de profundidade por sete de largura), era colocada uma grelha de madeira sobre um conjunto de pedras salientes, para o gelo que derretia não ficar em contacto com o restante bloco. Além disso, no fundo do silo existia um dreno, que escoava essa água para o exterior.


Os blocos de gelo viajavam de noite até Lisboa para abastecer a Casa Real e os cafés chiques. (Fotografia D.R.)

Era uma tarefa dura esta de fazer gelo. Dos poços e dos tanques de armazenamento, a água da chuva era enviada para os 44 tanques de congelação, com recurso a um sistema de nora movido por animais. A água distribuía-se então por gigantescas couvettes a céu aberto, para a natureza tratar de a congelar. Isso acontecia de noite, quando as temperaturas mais baixas eram alcançadas. Nessa altura, o guarda da fábrica descia à aldeia de Pragança e, de corneta em riste, acordava os homens que se iriam dedicar ao labor de tirar os enormes blocos de gelo dos tanques, transportá-los às costas e compactá-los nos silos. Carlos Ribeiro explica que tudo isto tinha de acontecer antes de o sol nascer. “Era um trabalho de escravatura, feito de noite, com temperaturas baixas, para que o rei se pudesse deliciar com bebidas geladas”, diz, confessando que muitas vezes se põe a pensar no que sofreram os neveiros, “mal vestidos e mal calçados”. Os homens – diz – dormiam atentos ao som da corneta, porque só os primeiros a chegar, depois de subir a pé pela serra acima, conseguiam o trabalho. Muita desta memória foi recolhida junto dos descendentes dos neveiros, em Pragança, no sopé da serra. Foi uma atividade que durou mais de um século e que ainda hoje está fixada numa frase que os mais antigos dizem: Quando o silo grande estava cheio de gelo, era o silo do lado [mais pequeno] que estava cheio de moedas de ouro.


Carlos Ribeiro é um dos guias da Real Fábrica de Gelo. (Fotografia Orlando Almeida/Global Imagens)

Hoje em dia, mesmo que não houvesse congeladores, a fábrica já não podia existir. Um dos tanques do conjunto ainda retém a água das chuvas, que agora ali fica meses até se evaporar. A última vez que gelou foi há dez anos, e não na totalidade – ou seja, nos seus 12 centímetros de altura – relata Carlos Ribeiro, espectador do aquecimento global no cimo de Montejunto.

Mas nos finais do século XIX, início do século XX, dos 44 tanques saíam estes enormes blocos de gelo que se armazenavam nos silos durante o inverno. No início do tempo quente, desencadeava-se a monumental tarefa de os transportar intactos ao longo de 50 quilómetros. A primeira fase do processo acontecia numa zona da também chamada fábrica de neve, junto aos silos, em que os homens cortavam o gelo em enormes paralelepípedos, evolvendo-os em palha e serapilheira. Ficavam no silo de expedição, até seguirem para o dorso dos burros que os levava serra abaixo. O guia lembra que não existiam estradas, os animais seguiam por carreiros e só no sopé da serra estavam as carroças ou carros de bois, em que depois se acomodava o gelo até à Vala do Carregado. A partir daqui, os blocos de gelo (envolvidos em palha e serapilheira) seguiam pelo Rio Tejo, durante a noite, até ao Terreiro do Paço, nos barcos da neve, num trajeto que demorava 12 horas. “Aqui era levado para a Casa da Neve, um local que pouco tempo depois foi o Martinho da Arcada, e a partir daqui seguia para a corte, para os cafés e para o Hospital de Todos os Santos, localizado na atual Praça da Figueira”.


Era na Real Fábrica do Gelo que se armazenava a água que depois congelava e era mantida nos enormes silos antes de seguir para Lisboa. (Fotografia Orlando Almeida/Global Imagens)

Destes tempos antigos, restam alguns vestígios na Baixa de Lisboa, nomeadamente na fachada da antiga Pastelaria Pomona (Rua da Prata, 113) ou o Café Gelo, no Rossio – alguns dos “cafés chiques” que Carlos Ribeiro referia. Também no Palácio Nacional da Ajuda se conservam alguns dos recipientes usados para “servir as neves” à corte, como as taças ou baldes de gelo em vidro, cristal, porcelana ou prata, revela Maria João Burnay, conservadora de vidros do palácio. A historiadora de arte tem estudado este tema e conta que na corte da rainha D. Maria Pia, o sorvete não era uma sobremesa, antes “era servido entre o prato de carne e de peixe, para cortar o sabor”. O gelo usava-se também nos frapés, para gelar o vinho branco ou o champanhe. Era conservado ao longo de todo o ano em geleiras, de que não há atualmente registo no acervo do palácio. Entre os imensos serviços que a rainha comprava para a Casa Real, estão contempladas as peças para servir as “neves”, com o seu monograma. Uma delas, atualmente no Palácio Nacional de Sintra, mostra-se no Centro de Interpretação da Real Fábrica do Gelo.
Carlos Ribeiro explica que o fabrico e transporte de gelo foi sempre feito por particulares, apesar de o nome da fábrica poder induzir em erro. Em 1782, o espanhol Julião Pereira de Castro, que explorava os poços de neve do Coentral, ficou também com a fábrica de Montejunto, garantindo desta forma o monopólio da exploração do gelo em Portugal. Além disso, o neveiro da casa real e a sua família eram proprietários de grande parte dos cafés da baixa de Lisboa. A sua filha e neto sucederam-lhe no negócio de fazer gelo natural.
A Real Fábrica do Gelo serviu a corte de D. João V e, depois, de José I. Este último fez aprovar uma lei que dá plenos poderes ao transporte do gelo e os almocreves tinham via verde até Lisboa: era urgente manter a neve intacta para refrescar os palatos reais.

terça-feira, 25 de abril de 2017

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

5 de outubro de 1143:Conferência de Zamora


5 de Outubro de 1143: Conferência de Zamora, Afonso VII reconhece o título de rei a seu primo, D. Afonso Henriques


Vitorioso em Ourique (1139), afastadas, assim, as preocupações suscitadas pelos desastres de Leiria e Tomar, Afonso Henriques renovou os seus ataques ao norte e, mais uma vez, invadiu a Galiza. Por seu turno, Afonso VII, parando o golpe, entrou em Portugal. Todavia, após o recontro de Arcos de Valdevez (1140) e mediante intervenção do arcebispo de Braga, D. João Peculiar, os dois primos assentaram na cessação das hostilidades, com vista ao estudo das condições definitivas de paz, tudo parecendo indicar que o duelo militar entre os dois chefes se aproximava de um desfecho político. E, com efeito, três anos volvidos, a trégua tornou-se paz na Conferência de Zamora, reunida a 4 e 5 de Outubro de 1143, com directa ingerência do cardeal Guido de Vico, legado do papa Inocêncio II. Quais tenham sido as condições de paz em que se assentou é ponto que hoje se ignora, dado que nenhum documento especial que no-lo diga chegou até nós. Tudo parece mostrar que Afonso Henriques desistiu de qualquer reivindicação territorial para além dos limites da terra propriamente portuguesa, cujo governo seu avô Afonso VI, avô por igual do imperador Afonso VII, doara ao conde Henrique meio século antes, e que Afonso VII, por seu lado, aceitou a anulação doas obrigações assumidas para com ele por Afonso Henriques no Tratado de Tui." Firmada a tranquilidade dos dois Estados, Afonso I voltou aos seus domínios, deixando por governador de Astorga o seu alferes, Fernando Captivo.

Fontes: Dicionário de História de Portugal (adaptado)
wikipedia (Imagens)

5 de Outubro- A implantação da república

A República Portuguesa foi proclamada em Lisboa a 5 de outubro de 1910. Nesse dia foi organizado um governo provisório, que tomou o controlo da administração do país, chefiado por Teófilo Braga, um dos dinamizadores do movimento republicano nacional. Iniciava-se um processo que culminou na implantação de um regime republicano, que definitivamente afastou a monarquia.
Este governo, pelos decretos de 14 de março, 5, 20 e 28 de abril de 1911, impôs as novas regras da eleição dos deputados da Assembleia Constituinte, reunida pela primeira vez a 19 de junho desse ano, numa sessão onde foi sancionada a revolução republicana; foi abolido o direito da monarquia; e foi decretada uma república democrática, que veio a ser dotada de uma nova Constituição, ainda em 1911.

Para saberes mais visita o blogue da biblioteca de Santiago Maior
Sabes quem é a mulher que deu o rosto à República? Clica na imagem e conhece a sua história.
Fontes:Implantação da República. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.
Wikipedia (Imagens) 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de abril


O Dia da Liberdade é comemorado em Portugal a 25 de abril.

A data celebra a revolta dos militares portugueses que a 25 de abril de 1974 levaram a cabo um golpe de Estado militar, pondo fim ao regime ditatorial do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar, que governava Portugal desde 1933.

O Movimento das Forças Armadas, composto por militares que haviam participado na Guerra Colonial e por estudantes universitários, teve o apoio da população portuguesa, conseguindo a implantação do regime democrático e a instauração da nova Constituição Portuguesa a 25 de abril de 1976 de forma pacífica. O símbolo do dia 25 de abril é o cravo, a flor que se colocou nas armas dos militares neste dia.

Após a revolução foi criada a Junta de Salvação Nacional que nomeou António de Spínola como Presidente da República e Adelino da Palma Carlos como Primeiro-Ministro.

Os dois anos seguintes foram de grande agitação social, período que ficou conhecido por PREC (Processo Revolucionário em Curso).

Desta forma o dia 25 de abril é conhecido como o Dia da Liberdade em Portugal e o dia da Revolução dos Cravos, sendo um feriado nacional onde se recorda a importância da liberdade no país.
Fonte: http://www.calendarr.com/portugal/dia-da-liberdade-25-de-abril/
 

Queres saber como era Portugal antes da revolução de abril?

Visiona o video:



Podes ter aqui a vários recursos para entenderes melhor a revolução dos cravos:)

                                                                                                                    Bom feriado!


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Propostas de correção de tarefas do Caderno de Atividades

 Como combinámos aqui estão a correção das tarefas do Caderno de Atividades do 6º ano DST e BST.

















Bom trabalho!

Visita de estudo ao Mosteiro dos Jerónimos

Ontem, tiveste oportunidade de estar neste local. Será que consegues entender o que está a ser explicado em Inglês?


 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Mosteiro dos Jerónimos

Vais no próximo dia 14 visitar o Mosteiro dos Jerónimos!
A tua visita de estudo deverá começar no exterior do monumento.
Antigamente, entre a cidade de Lisboa e a entrada do Tejo, existia uma pequena praia abrigada de ventos fortes e com boas condições de navegabilidade que, na época dos Descobrimentos, cresceu em importância. Chamava-se a este local “Praia do Restelo”. Era o porto mais seguro e mais procurado quer pelos navios que entravam no Tejo, quer pelos que se preparavam para abandonar Lisboa. Foi daqui que partiu a armada de Vasco da Gama em direcção à Índia, em 1497 e a de Pedro Álvares Cabral que aportou no Brasil, em 1500.

Foi neste sítio que o Rei D. Manuel I decidiu mandar construir o Mosteiro dos Jerónimos. Em 1501 ou 1502 deu-se início à sua construção, tendo a primeira pedra sido colocada no dia 6 de Janeiro e as obras demorado cerca de 100 anos. Diogo de Boitaca foi o primeiro arquiteto responsável pelo projeto muito embora, com o passar dos anos, outros mestres tivessem ficado encarregues da obra, correspondendo a cada um, uma nova fase de construção.
A pedra utilizada é o calcário de lioz, então muito abundante nesta zona.

As despesas deste grande projecto foram pagas com a chamada “Vintena da Pimenta” ou seja, um imposto criado pelo Rei que consistia em 5% de todo o ouro trazido da Guiné bem como das especiarias e pedras preciosas vindas da Índia.

Aqui viveram os monges da Ordem de S. Jerónimo até ao ano de 1833. Estes monges tinham como funções, entre outras, rezar pela alma do Rei e prestar assistência espiritual aos navegadores que da Praia do Restelo partiam à descoberta de novos mundos.
Antes de entrares no Mosteiro dos Jerónimos observa, com atenção, toda a sua fachada. Nem sempre foi assim o seu aspeto. No séc. XIX o edifício sofreu algumas modificações que, embora não tenham alterado a sua estrutura primitiva, vieram dar-lhe a forma que hoje lhe conhecemos.


Portal Sul

Nesta fachada existe um grande portal que, pela sua orientação, é conhecido por Portal Sul. Apesar da sua grandiosidade e da riqueza da sua decoração não é a porta principal do Mosteiro, no entanto, deves olhar, com muita atenção, os seguintes pormenores:



- a figura central, Nossa Senhora dos Reis ou Santa Maria de Belém, sob a protecção da qual foi construído o Mosteiro. Este monumento é também conhecido por Mosteiro de Santa Maria de Belém. Numa das mãos, Nossa Senhora segura o Menino-Deus; na outra, o vaso de ofertas dos Reis Magos.

- a figura do Infante D. Henrique, de barba, representado como guerreiro, vestindo uma armadura e com uma espada na mão. Essa estátua está colocada no pilar que se encontra exactamente entre as duas portas. Repara que na base desse pilar existem dois leões, símbolos de S. Jerónimo.

- o Arcanjo S. Miguel - Anjo Custódio (protector) de Portugal - mesmo no cimo do portal.


Portal Axial (principal)

Embora de dimensões mais pequenas e menos majestoso que o Portal Sul, este é o mais importante Portal dos Jerónimos, quer pela sua localização (frente ao Altar-Mor), quer pela sua decoração. Aqui encontram-se representadas, nos nichos do topo, Cenas do Nascimento de Jesus Cristo: da esquerda para a direita – Anunciação (o anjo anuncia a Maria que vai ser mãe de Jesus); Natividade (nascimento de Jesus); Epifania (adoração dos Reis Magos). 
Mais abaixo encontram-se as estátuas do Rei D. Manuel I e da Rainha D. Maria, com os seus santos patronos: S. Jerónimo e S. João Baptista, respetivamente. 
Neste Portal trabalhou Nicolau de Chanterene que aqui introduziu alguns elementos característicos da Arte do Renascimento: os anjos vestidos à romana; os querubins (motivo decorativo composto por uma cabeça de criança com um par de asas); o pormenor e o realismo com que foram representadas as estátuas dos Reis e ainda o excelente estudo do nu de S. Jerónimo.

Ao longo da tua visita irás encontrar várias representações de S. Jerónimo quer em pintura, escultura ou mesmo vitral. Assim, são três as pinturas mais importantes:

- O Penitente no deserto, (no sub-Coro, junto ao túmulo de Vasco da Gama) o santo é apresentado magro, num local deserto, castigando-se, com uma pedra na mão e meditando em frente de um crucifixo;

- O Estudioso na sua cela (no Refeitório) – o santo está representado sentado à sua mesa de trabalho, rodeado de livros abertos;

- O Doutor da Igreja (no Coro-Alto) – o santo encontra-se de pé, numa atitude solene, vestido com um traje vermelho, de cardeal, com o respectivo chapéu.

Qualquer que seja, porém, a representação de S. Jerónimo, reconhecê-lo-ás, de imediato, pois junto a ele está quase sempre um leão e a Bíblia.

                                                                        Igreja

Vais agora entrar na igreja. Lembra-te que este é um local de oração, por isso deves manter-te em silêncio. 


Ao entrares, tens a sensação de estar numa gruta. O tecto, em abóbada, é composto por várias nervuras, que são as estruturas de pedra que têm origem nos respectivos cantos para se multiplicarem pelo tecto; chama-se então, uma abóbada polinervada. A juntar cada uma das nervuras, observas um elemento circular, feito de pedra, designado por fecho de abóbada. Nesses elementos podes encontrar motivos que caracterizam o estilo manuelino: cruz da Ordem militar de Cristo, esfera armilar, cordas náuticas e motivos vegetalistas. À medida que avanças em direcção à Capela-Mor, a zona mais escura da entrada vai dando lugar a zonas de maior luminosidade.


Sub-coro

Faz uma paragem no sub-coro. Aqui foram colocados, no séc. XIX, dois túmulos: no lado norte, o de Vasco da Gama; no lado sul, o de Luís de Camões.

Começa por observar a abóbada, por cima do túmulo de Vasco da Gama. 




Vasco da Gama (1468?-1524), como sabes, descobriu o caminho marítimo para a Índia, um marco fundamental na História de Portugal e do mundo; 



 Luís de Camões (1524?–1580) foi o maior poeta português e um dos mais importantes da literatura europeia. N’ Os Lusíadas descreve, de forma heróica, a aventura marítima dos portugueses. Nos respectivos túmulos estão representados alguns elementos decorativos referentes à vida e aos feitos destes dois personagens da História de Portugal. Observa-os, então, com muita atenção.


Continua o teu percurso e dirige-te ao corredor central da igreja ou seja, à nave central. Observa à tua volta e repara que as colunas aí existentes são ricamente decoradas. A cobertura do tecto é em forma de arco, isto é, uma abóbada. Todos os vitrais do mosteiro são já do séc. XX (1938). Os que cobrem os dois janelões da parede sul representam imagens dos reis fundadores, D. Manuel I e sua mulher, D. Maria, cada um deles com os respectivos santos patronos. D. Manuel, acompanhado por Vasco da Gama, antes da partida para a Índia e D. Maria rodeada das suas aias e de alguns monges jerónimos. Ao centro, podes ver a imagem de Santa Maria de Belém ou Nossa Senhora dos Reis. A Virgem tem o Menino ao colo; em segundo plano, uma imagem de Lisboa antes do terramoto de 1755; em baixo, as naus dos Descobrimentos. 



Avança agora até subires um pequeno degrau. Detém-te aí por alguns segundos. Se olhares para cima podes observar uma enorme abóbada decorada com grandes medalhões de bronze dourado - são os fechos da abóbada. Nesses medalhões estão representados vários símbolos:
- reais (Escudo com as armas reais e Esfera Armilar);

- religiosos (Cruz da Ordem Militar de Cristo).


Capela-Mor





Caminha, de seguida, em direcção à Capela-Mor. Observa os túmulos de mármore aí colocados sobre elefantes. Aqui encontram-se os restos mortais do rei D. Manuel I e de sua mulher, a rainha D. Maria (lado norte); do seu filho, Rei D. João III e de sua mulher, a Rainha D. Catarina de Áustria (lado sul).

Quis o Rei D. Manuel I que o mosteiro servisse de panteão real (edifício funerário ou igreja onde se colocam túmulos de monarcas), tendo os monges ficado com a obrigação de rezar uma missa, por dia, pela alma do rei e dos seus sucessores.

Esta capela, tal como hoje se encontra, foi mandada construir pela Rainha D. Catarina e foi inaugurada em 1572. Observa as diferenças existentes na arquitectura, entre esta capela e o resto da igreja. O arquitecto responsável por este projecto foi Jerónimo de Ruão que introduziu elementos característicos da arte maneirista. Aqui, encontras colunas de duas ordens clássicas e mármores coloridos, por oposição ao calcário de lioz, empregue no corpo da igreja.

Ao fundo desta capela (mesmo por trás do altar) podes apreciar cinco pinturas da autoria de Lourenço de Salzedo, com cenas que representam a Paixão de Cristo, em cima e a Adoração dos Reis Magos, em baixo. As três pinturas de cima representam o sofrimento e a morte de Cristo, enquanto as duas de baixo referem a Adoração dos Reis Magos. Ao centro encontra-se o magnífico sacrário de prata da autoria do ourives João de Sousa e oferecido pelo rei D. Pedro II, cumprindo a promessa de D. Afonso VI, em acção de graças pela vitória alcançada contra os espanhóis na Batalha de Montes Claros (1665), a qual pôs fim à Guerra da Restauração.

Sai da igreja e dirige-te agora para o Claustro.

Claustro





O claustro é uma construção normalmente de forma quadrangular com um ou dois andares constituídos por galerias cobertas, abertas para um pátio através de arcadas. Aparece quase sempre encostado a um dos lados da igreja, localizando-se à sua volta as várias dependências conventuais: Sala do Capítulo; Refeitório e outras.
O claustro do Mosteiro dos Jerónimos é considerado um dos mais belos do mundo. Repara na beleza e riqueza dos pormenores esculpidos. Este local era destinado apenas aos monges que o usavam para a leitura, oração, meditação e lazer. Por isso, ao longo das suas paredes, por baixo da arcada, poderás observar inúmeros medalhões em pedra, representativos das cenas da Paixão de Cristo, entre outros com símbolos régios. Era também por aqui que os monges tinham acesso ao Refeitório, Sala do Capítulo, Sacristia e Coro Alto.
Dirige-te à Sala do Refeitório.


Refeitório


Os monges tomavam, em conjunto, as suas refeições no Refeitório. O ambiente que se vivia, durante as refeições era de solenidade, obedecendo os monges a regras próprias de comportamento. Não era permitido conversar pois, durante a refeição, um dos monges lia passagens da Bíblia ou algum outro livro religioso. Para que todos pudessem ouvir claramente, utilizavam um púlpito de madeira (espécie de varanda, construída também em pedra, existente nas igrejas e usada pelos sacerdotes quando pretendem pregar).

Esta sala encontra-se revestida de azulejos (séc. XVIII) representando cenas do Antigo e Novo Testamento.

No topo norte dessa Sala, por cima do painel de azulejos que representa o Milagre da Multiplicação dos Pães, vê-se uma pintura de Avelar Rebelo, representando S. Jerónimo (volta a observar as pinturas do Santo). É uma pintura a óleo sobre tela, do séc. XVII. Deves observar, no quadro, os símbolos relacionados com a figura de S. Jerónimo: o leão; a caveira; o chapéu e o manto de cardeal; a vela, a ampulheta (relógio de areia); o crucifixo e os livros.

No topo sul, por cima da lareira (do séc. XIX) e enquadrado por moldura de pedra lavrada está uma pintura mural (óleo sobre estuque) representando a Adoração dos Pastores. Nossa Senhora expõe o Menino Jesus num lençol branco para ser adorado pelos pastores. Do lado direito da Virgem está S. José. Em redor, os pastores. Um deles traz às costas um borrego; outro um cesto e outro ainda, um cabrito. Vê-se o tocador da gaita de foles, o boi e a mula. Esta pintura terá sido feita no final do séc. XVI.

Sai do Refeitório e continua o teu percurso pelo Claustro em direcção à Sala do Capítulo.

À medida que fores andando repara que o Claustro dos Jerónimos tem dois pisos com tectos abobadados. Nas alas e arcos do piso inferior abunda uma decoração manuelina, isto é, como já sabes, representações naturalistas (plantas e animais de terras distantes), símbolos nacionais e emblemas do rei, bem como temas religiosos e náuticos. Olha então, com muita atenção, à tua volta e procura encontrar estes elementos decorativos.


No piso superior a decoração é renascentista obedecendo a uma evolução natural do projecto à medida que ia sendo executado sob a responsabilidade dos mestres João de Castilho e Diogo Torralva.

A caminho da Sala do Capítulo não podes deixar de reparar no túmulo de Fernando Pessoa. Este poeta nasceu em Lisboa em 1888 e morreu em 1935. Os seus restos mortais foram trasladados (mudados de um local para outro) para o Claustro do Mosteiro dos Jerónimos em 1985. Fernando Pessoa escreveu um livro de poemas alusivos ao tema dos Descobrimentos, que é um marco na literatura portuguesa e se chama Mensagem.

Para além disso, Fernando Pessoa gostava de visitar os Jerónimos com frequência.

Sala do Capítulo




Nos Mosteiros, a Sala do Capítulo era a sala de reuniões dos monges. Após a missa da manhã, a comunidade juntava-se na Sala do Capítulo para a reunião diária que começava com a lembrança do santo do dia, seguindo-se a leitura de um Capítulo da Regra de Santo Agostinho. Depois os monges discutiam problemas relativos à sua vida administrativa: compra de terras; atribuição e distribuição de determinadas tarefas entre eles, etc. A disciplina era também um assunto aqui tratado.
Neste Mosteiro, o portal da Sala do Capítulo ficou terminado no séc. XVI. O seu interior é do séc. XIX, conforme podes ver, se olhares para a inscrição num dos fechos da abóbada. Assim, e para funções do “Capítulo” os monges utilizavam outro espaço que não este. Ao centro está colocado o túmulo de Alexandre Herculano, historiador e romancista do séc. XIX e primeiro presidente do Município de Belém.

De novo no Claustro, deves encaminhar-te para a porta que dá acesso ao segundo piso do Claustro e ao Coro-Alto. Antes, porém, repara na parede sul. As várias portas que aqui vês correspondem aos antigos confessionários. Do outro lado da parede ou seja, do lado da igreja, há portas iguais a estas. O confessor entrava pelo Claustro e o penitente pela igreja, ficando ambos separados por uma grade de ferro.

Sobe agora a escadaria que dá acesso ao Coro-Alto. Entra pela porta que se encontra ao cimo dessa escada, mas do teu lado esquerdo.

Coro-Alto



O Coro-Alto era um espaço muito importante para as orações dos monges. A oração comunitária também chamada “Ofício Divino” era o mais significativo dos deveres religiosos. Essa oração repartia-se por sete momentos ou seja sete horas – As Horas Canónicas – ao longo do dia. Assim, sete vezes por dia, os monges entravam no Coro-Alto para rezar, recitando ou cantando o referido “Ofício Divino”. Faziam-no então no Cadeiral (fila de cadeiras de madeira, ligadas umas às outras e fixas aos dois lados das paredes de um Coro). Na primeira parte dessa longa oração, os monges podiam estar sentados nas cadeiras do Cadeiral; na segunda, tinham de rezar de pé. Neste caso, era-lhes permitido apoiar-se nas misericórdias ou seja, numa pequena peça saliente colocada por baixo do assento de cada uma das cadeiras do Coro. Isso permitia então ao monge apoiar-se, aliviando, por momentos, o peso que exercia sobre os seus pés.

O cadeiral foi desenhado pelo arquitecto Diogo de Torralva e executado, em 1550, pelo mestre Diogo de Çarça. Esta obra merece ser admirada na sua globalidade mas especialmente nos pormenores de escultura que apresenta. Existem aqui duas séries de cadeiras. Cada uma possui um assento levadiço no qual se encontra a “misericórdia” decorada com vasos, cabeças de jovens, guerreiros e animais fantásticos. As cadeiras são diferentes umas das outras precisamente pela decoração que possuem. Umas apresentam temas profanos, ou seja, que nada têm a ver com assuntos sagrados: paisagens, homens, etc.; outras, têm uma decoração de inspiração religiosa com imagens de santos. 

As pinturas colocadas na parede à volta do cadeiral são do séc. XVIII e representam alguns apóstolos e outros santos, entre eles São Jerónimo e Santo Agostinho. 

Antes de saíres do Coro, detém-te um pouco frente à imagem do Cristo Crucificado. Essa imagem é feita de madeira e é uma obra atribuída ao escultor flamengo Philippe de Vries. Foi oferecido pelo Infante D. Luís (filho do rei D. Manuel) ao Mosteiro, em 1551.

Sai do Coro-Alto. Passeia pelos corredores do piso superior do claustro. Observa as gárgulas (escultura saliente que servia para escoar a água da chuva). Estas representam animais. As que têm um sulco são as originais (séc. XVI) e as que não têm, são apenas decorativas e foram acrescentadas no séc. XIX. 


À volta da varanda deste piso, podes observar várias esculturas em nichos. Representam o rei D. Manuel I (de chapéu, a apontar para cima), rodeado de virtudes com forma humana, santos e profetas da Bíblia.

Fonte: http://www.mosteirojeronimos.pt/pt/index.php?s=white&pid=185



Votos de uma excelente visita de estudo:)

domingo, 13 de março de 2016

Portugal no século XIX

Queres saber mais sobre Fontes Pereira de Melo?
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                               Fontes Pereira de Melo, político português do século XIX, cuja política de desenvolvimento ficou conhecida por

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher (8 de março)

No Dia 8 de março de 1857, morreram aproximadamente 130 mulheres carbonizadas, quando foram trancadas na fábrica de tecelagem, em Nova York, onde trabalhavam, por estarem em greve. Em homenagem a estas mulheres, em 1910, declarou-se o dia 8 de março como o “Dia Internacional da Mulher”.



Votos de um bom dia!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Propostas de correção de tarefas do Caderno de atividades

Preparação para a ficha de avaliação (6ºDST):
Clicar em:
Páginas 13 e 14 do Caderno de atividades

Preparação para a ficha de avaliação  do 6ºBST e do 6º DST

Páginas 15 e 16:








Preparação para a ficha de avaliação  do 6ºBST



Orientação para as duas turmas:
Podem ainda visionar os vídeos 19 e 20. Basta clicar aqui e procurar.

Bom trabalho!